Encontro Internacional sobre a Cidade, o Corpo e o Som CAMINHADAS > TRAVESSIA < PERFORMANCESTEPe2022

20 de Outubro de 2021

Envio dos sumários e propostas de performance

Notificação de aceitação: 15 de Dezembro, 2021

Inscrição antecipada de participantes (early bird) até: 31 de Dezembro, 2021

Encontro: 15 a 20 de Março, 2022


Os contextos pandémico e pós-pandémico vêm impondo às cidades outras dinâmicas, outros sons, outros ecos, outros percursos, outros visitantes humanos e não humanos. Durante o confinamento, o encerramento de espaços teatrais e expositivos – bem como, durante o desconfinamento, as limitações para a sua utilização - têm tido consequências penosas nas programações artísticas e efeitos dramáticos nos quotidianos dos seus agentes (artistas, técnicos, programadores, curadores, etc.). Ao mesmo tempo, a desaceleração da vida da cidade (do trânsito, do ritmo nas ruas, do frenesim produtivo e de consumo, etc.) veio contribuir beneficamente para uma diminuição das emissões de CO2. Neste quadro, a cidade - mais concretamente as suas zonas públicas a céu aberto – surgem mais nitidamente como espaços de circulação e de interferência (ou de suspensão de interferência) entre pessoas.

O que aprendemos com a experiência de confinamento e desconfinamento? Em primeiro lugar, que a cidade tem uma densidade flutuante, na medida em que as concentrações populacionais se esvaem quando nos encerramos em casa. Em segundo lugar, que o encontro com o outro (uma das prerrogativas da cidade) pode acontecer em outras escalas que não apenas a dimensão cultural. Em terceiro lugar, que o medo pode ser um sentimento público capaz de fazer implodir as próprias cidades, se não for transformado numa força para a vida.

Como é que, neste processo, os artistas se organizam e se constituem como agentes na cidade? Como é que a cidade passou a ser representada? Que cidade é aquela que desejamos? Este congresso surge assim da necessidade de intensificar o diálogo entre a cidade e a arte, em particular as artes performativas.

Este encontro é o culminar de dois anos de investigação consistente e consolidada no âmbito do projecto TEPe (Technologically Expanded Performance). Ao longo destes dois anos, desenvolvemos atividades com a comunidade com o intuito de promover um diálogo intercultural e transdisciplinar, e proporcionar o encontro com vivências urbanas variadas. Através das diferentes propostas de percursos pela cidade, mapeámos acontecimentos, hoje invisíveis, mas ainda assim presentes: desde “memórias soterradas” a “caminhadas sensoriais”, passando por registos íntimos de confinamento.

O encontro visa partilhar as experiências realizadas com a contribuição de duas equipas: a portuguesa, em Lisboa, e a brasileira, em Fortaleza. Para além de apresentarmos as conclusões das pesquisas realizadas, lançamos esta chamada para apresentações, especialmente destinada a artistas e estudiosos de performance art, historiadores das cidades, antropólogos, urbanistas, geógrafos, estudiosos da escuta e do som e a todxs aquelxs a quem interessa pensar (e projectar) a vida na cidade.


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