Cidade “Sentiente” – Uma Paisagem Atonal

Helena Pires, Zara Pinto-Coelho & Cíntia Sanmartin Fernandes

8(1) | CECS - UMinho 2021

Tendo arriscado temperar esta publicação com um apelo a uma visão organicista da (pós)cidade, foi lançado o desafio de escrever sobre a urgência do (re)sentir o (pós) corpo–(pós)lugar, não esquecendo o odor das temporalidades e dos percursos, as paisagens cinestésicas, os desarranjos (in)visíveis do território sobre o qual se distende o “corpo-sem-órgãos” (Deleuze & Guattari, 1980/2001), o ser próprio imiscuído com o do lugar vivido.

Tomando o dodecafonismo como referência que inspira um certo arrojo que aqui procuramos imprimir, desejaríamos aplanar o grau da visão, dominante na nossa cultura, seriando-o numa escala equitativa (embora rica de infinita diversidade) de sentidos, reclamando para cada registo sensorial — que artificialmente confundimos (com excessiva preocupação de discernibilidade) com o olfato, a audição, o tato — uma mesma exigência e gradação tónica, inextricável no seu conjunto. O debate sobre a significância dos sentidos na experiência urbana precisa dos contributos dos estudos culturais, da comunicação em geral, cruzando fronteiras disciplinares, abordagens metodológicas e geografias, de forma a (re)constituir a concretude dessa experiência e as condições que a alimentam e tornam possível..