Ruínas e terrenos vagos : explorações, reflexões e especulações

14/10/2019

Ed. Eduardo Brito-Henriques,  Cristina Cavaco, Marta Labastida

https://issuu.com/novoid/docs/novoid_livro_catalogo_-_versao_digital

 

 

 

Os espaços abandonados das cidades são locais que motivam intrigantes indagações intelectuais. Bowman e Pagano (2004) chamaram-lhes as terrae incognitae do mundo urbanizado. Compararam-nos às regiões não exploradas que os cartógrafos deixavam em branco nos mapas históricos. Construções abandonadas, descampados e baldios urbanos deslizam diante dos olhos de quantos circulam nas cidades, mas poucos se aventuram a adentrar-se neles. Ruínas e terrenos vagos são locais que se evitam. O senso comum imagina-os vazios e sem vida e envolvem-nos metáforas de morte (Anderson, Tonner & Hamilton, 2017; Apel, 2015; Dobraszczyk, 2010). Trata-se de locais que as sociedades sobreacumulam de passado (memórias do que foram) e de futuro (sonhos do que podem vir a ser), mas que suprimem do presente. Inquirir e debater esse presente negado às ruínas e aos terrenos vagos das cidades foi o que nos interessou e é disso que fala este livro. Estimularam-nos inicialmente meditações dispersas de autores como Smithson (1996 [1973]), Solà-Morales (1995), Berger (2006) ou Gandy (2013), que, separados no tempo e a partir de posicionamentos disciplinares variados, souberam encarar limpidamente, e até com benevolência, diversos géneros de paisagens abandonadas, devastadas ou descuradas pela incúria humana, encontrando nelas valor. A heterodoxia das suas posições serviu-nos de inspiração e instigou-nos a penetrar na terra incognita dos espaços abandonados das cidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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